quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Capítulo I: Prática educativa, pedagogica e didática.José Carlos Libâneo

Prática educativa, pedagogia e didática.
            A prática da educação está vinculada a prática social global “família, escola, trabalho e igreja etc.”, trazendo vários aspectos sociais, políticos, econômicos e psicológicos. A principal atividade do professor é ensinar, dirigir, organizar, orientar e estimular a aprendizagem escolar dos alunos. 
            A prática educativa e sociedade é social universal, sendo necessária para a formação das gerações e para os padrões da sociedade que vivemos. Ela determina o caráter existencial e essencial do ser humano. Suas influências educativas caracterizam-se como não intencional que se refere ao meio social e ambiental sobre os indivíduos, seria uma educação informal idéias, valores, práticas não intencionais. Já a prática intencional é aquela que têm objetivos e intenções definidas como a educação escolar, rádio, propagandas, computador, televisão etc.

            A educação pode ser formal ou não-informal

A formal é que acontecem nas escolas, agências de instrução e educação. A não-formal ela é realizada fora dos sistemas educacionais convencionais.
            O papel social da educação é determinado pela sociedade, política cultural e pela ideologia predominante, estabelecendo vínculos com a finalidade de meios de educação para formação de uma sociedade trabalhando em conjunto para sua sobrevivência.

            Educação, instrução e ensino.

A educação corresponde a toda modalidade de influências e inter-relações que convergem para a formação de traços de personalidade social e do caráter, implicando uma concepção de mundo, ideais, valores e modos de agir. A instrução já esta relacionada à formação e desenvolvimento da capacidade cognoscitiva mediante o domínio dos conhecimentos. O ensino corresponde às ações, meios e condições necessárias para realizações das instruções.
            A relação subordinada da instrução à educação determina uma responsabilidade pelo educar, ou seja, podemos instruir sem educar ou educar sem instruir, dependendo da transformarmos informações em conhecimentos com objetivo voltado a educação escolar e ao ensino.

            Educação escolar, pedagogia e didática.
            A educação escolar é um sistema de instrução e ensino sistematizados e com alto grau de organização para uma democratização dos conhecimentos. As práticas educativas determinam as ações da escola com o comprometimento social a transformações dentro das salas de aula. A pedagogia é quem investiga as finalidades da educação na sociedade e sua inserção. A didática é o ramo de estudo da pedagogia para estudar melhor os modos e as condições de realizar o ensino e instrução, com a importância da sociologia da educação ao processo da relação aluno-professor.
            A didática e a formação profissional do professor.
Compõe-se de um conjunto de disciplinas coordenadas e articuladas entre si, cujo objetivo é confluir para uma unidade teórico-metodológica do curso. A primeira dimensão é a teórico-científica que é formada pelos conhecimentos da filosofia, sociologia, história da educação e pedagogia. A segunda dimensão é a teórica-prática, que representa o trabalho docente incluindo a didática, metodologias, pesquisas e práticas do trabalho do professor, ou seja, a didática é a medição entre as dimensões do teórico-científica e prática docente.
            Didática e democratização do ensino.
A preparação das crianças e os jovens para a vida participativa e social é o objetivo mais imediato da escola pública. Esse objetivo é atingido através das tarefas que caracterizam os professores e o domínio dos conhecimentos sistematizados, promovendo os desenvolvimentos das capacidades intelectuais dos alunos, desse modo os professores e a escola como um todo estar realizando e cumprindo suas responsabilidades sociais e públicas, passando a possibilitar que os alunos desenvolva o domínio dos conhecimentos culturais e científicos, dessa forma efetiva a sua contribuição para democratização social e política da sociedade.
A escolarização tem por tanto uma finalidade muito prática que é admitir no aluno o entendimento crítico da realidade através das disciplinas escolares e o domínio de métodos que desenvolva sua capacidade cognitiva e independente de conhecimento, podendo ser inserida ativamente nas lutas para uma melhoria social. Mas entanto a realidade nas escolas públicas é diferente, pois são poucos alunos que ao serem matriculados na primeira série vão chegar até a oitava série, esta grande queda escolar ocorre devido a grande descriminação das classes sociais e pouca habilidade intelectual com a necessidade de trabalho para ajudar os pais em suas residências. Em síntese geral a escola é um meio insubstituível de contribuição para a luta democrática, a partir do momento que as classes populares tiverem o acesso previsto por lei ao ensino sistematizado e as melhorias nas condições de aperfeiçoamento das potencialidades intelectuais e da participação ativa no processo político, sindical e cultural, haverá mudanças e transformação pedagógica no ensino das escolas públicas para um melhor conhecimento sistematizado nas condições e realidade concretas da vida e trabalho dos alunos.


O fracasso escolar precisa ser derrotado

      Um dos mais graves problemas do sistema escolar é o fracasso escolar, que se evidência pelo grande numero de reprovações nas series inicias, insuficientes alfabetizações, exclusão da escola ao longo dos anos, dificuldades não superadas que comprometem o procedimento  do estudo.
     A escola publica brasileira não consegue reter as crianças nas escolas. Observam-se sucessivas perdas de alunos, mas é evidente que a exclusão tem a ver em grau significativo, com aquilo que a escola e os professores fazem ou deixam de fazer. Após, um estudo chegou-se a conclusão de que a reprovação não pode ser atribuída a coisas isoladas, sejam as deficiências pessoais dos alunos, sejam os fatores de natureza socioeconômica ou de organização escolar. Mas, entre as causas de reprovação, a mais decisiva foi o fato de a escola não estar preparada para trabalhar com crianças pobres.
     São muitos os procedimentos didáticos que acabam discriminando socialmente as crianças. Os professores estabelecem padrões, níveis de desempenho escolar tendo como referencia o aluno considerado "normal"- estudantes com melhores condições socioeconômicos e intelectuais. Crianças que não se enquadram nesse modelo são consideradas como carentes, atrasadas, preguiçosas, candidatando-se à lista que o professor faz para os prováveis reprovados. Essa atitude discrimina crianças pobres, pois a assimilação do conhecimento e o desenvolvimento estão diretamente relacionados com as condicoes de ingresso na escola, que é o verdadeiro ponto de partida do processo de insino e aprendizagem.
     É também, muito comum os professores justificarem as dificuldades das crianças na alfabetização e nas demais matérias pela pouca inteligência, imaturidade, problema emocional, falta de acompanhamento dos pais. Há fatores que determinam tipos de inteligências, mais a maioria das crianças são intelectualmente capazes, além disso, a influencia do meio, especialmente do ensino, pode facilitar ou dificultar o desenvolvimento da inteligência. Também, não se pode jogar a culpa do fracasso na imaturidade do aluno.
     O desenvolvimento das capacidades mentais pode ser estimulado justamente pelos conhecimentos e experiências sociais, pelas condições ambientais e pelo processo educativo organizado. Há também deficiência na organização do ensino que decorrem de objetivos e  programas inadequados à idade e ao nível de preparo do aluno para sua assimilação. Esse fato comprova que a escola, o currículo, os procedimentos didáticos dos professores não tem sido capazes de interferir positivamente para atingir o ideal da maturidade para todos. A inadequada organização pedagógica tem levado a marginalização e assim ao fracasso escolar de crianças pobres.
      É preciso enfrentar e derrotar o fracasso escolar se quer, de fato, uma escola publica democrática. Para isso é necessário rever a concepção de qualidade de ensino. A qualidade de ensino é inseparável das características econômicas, sócio-cultural e psicológica da clientela atendida. Só podemos falar em qualidade em relação a algo: coisas, processos, fenômenos que são reais. Isso significa que programas, conteúdos, métodos, formas de organização adquirem qualidade, quando são compatibilizados com as condições reais dos alunos. Deficiências e dificuldades dos alunos são naturais, isso é, não são devidas exclusivamente à natureza humana individual, mas provocadas pelo modo de organização econômica e social da sociedade, determinante das condições materiais e concretas de vida das crianças.
     Tais condições influem na percepção e assimilação dos conteúdos das matérias na linguagem, nas motivações para o estudo, nas aspirações em relação ao futuro, nas relações com o professor. O ensino contribui para a superação do fracasso escolar se os objetivos e conteúdos são acessíveis, socialmente significativos e assumidos pelos alunos, isto é, capazes de suscitar suas atividades e suas capacidades mentais, seu raciocínio, para que assimilem consciente e ativamente os conhecimentos. Em outras palavras: o trabalho docente consiste em compatibilizar conteúdos e métodos com nível de conhecimentos, experiências, desenvolvimento mental dos alunos.
     E, sem duvida, o ponto vulnerável a ser atacado nesse combate é a alfabetização. O domínio da leitura e da escrita, tarefa que percorre todas as séries escolares, é a base necessária para que os alunos progridam nos estudos, aprendam a expressar suas idéias e sentimentos, aperfeiçoem continuamente suas possibilidades, ganhem maior compreensão da realidade social. A alfabetização bem conduzida instrumentaliza os alunos a agirem socialmente, a liderem com situações e desafios concretos da vida prática: é o meio indispensável para expressão do pensamento, da assimilação consciente e ativa de conhecimento e habilidades, meio de conquista da liberdade intelectual e política.

As tarefas da escola pública democrática.

A finalidade do ensino de 1º grau é estimular a assimilação ativa dos conhecimentos sistematizados, das capacidades, habilidades e atitudes necessárias à aprendizagem tendo em vista o prosseguimento dos estudos serie a serie, para o mundo do trabalho, para a família e para as demais exigências da vida social.
            É responsabilidade, também, do 1º grau colocar os alunos em condições de continuarem estudando durante toda a vida e inculcar valores e convicções democráticas. Os objetivos, conteúdos e métodos da escola pública devem corresponder às exigências econômicas, sociais e políticas de cada época histórica, no que diz respeito á conquista de uma democracia efetiva para os grupos sociais majoritários da sociedade.
            A escola pela qual devemos lutar hoje visa o desenvolvimento cientifico e cultural do povo, preparando as crianças e os jovens para a vida, para o trabalho e para a cidadania, através da educação geral, intelectual e profissional.
A democracia do ensino se sustenta nos princípios da igualdade e da diversidade. Todos devem ter direito a permanência na escola, o ensino deve adequar-se às condições sociais de origem, às características sócio-culturais e individuais dos alunos. A democratização do ensino supõe um solido domínio das matérias escolares, com especial destaque à leitura e a escrita, como pré-condição para a formação do cidadão ativo e participante.
O ensino não se reduz a transmissão de conhecimentos na forma de transferência do professor para o aluno. Mas, trata-se de entender o ensino como um processo no qual a transmissão pelo professor se combina com a assimilação ativa pelos alunos, pois, os conhecimentos são a base material em torno dos quais se desenvolvem as capacidades e habilidades cognitivas.
Os processos de participação democrática incluem não apenas o envolvimento coletivo na tomada de decisões, mais também os meios de articulação da escola com órgão de administração do sistema escolar e com as famílias.
 Para realização dessas tarefas a escola se organiza com base nos objetivos e conteúdos das matérias de ensino seguinte:
Ø      Português – Principais objetivos a aquisição de conhecimentos de habilidades na leitura e na escrita; capacidade de produção e recepção verbais, compreensão e valorização das variedades dialetais da língua.
Ø      Matemática – Dois objetivos: o desenvolvimento de habilidades de contagem, cálculos e medidas e o desenvolvimento de estruturas lógicas do pensamento, pelo domínio e aplicação do conteúdo.
Ø      História e Geografia – Estas disciplinas visão estudar o homem como ser social, agindo na transformação do meio físico e social, estabelecendo relações com seus semelhantes.
Ø      Ciências (Física e Biológicas) – O ensino de Ciências compreende o estudo da natureza e do meio; as relações do homem com o meio físico e ambiental.
Ø      Educação Artística – É um importante meio de formação cultural e estética, desenvolvimento de criatividade e da imaginação, emoções e sentimentos.
Ø      Educação física e Lazer - Contribui para fortificar o corpo e o espírito.

Compromisso social e ético dos professores.

O trabalho docente constitui o exercício profissional do professor e este é o seu primeiro compromisso com a sociedade. Sua responsabilidade é preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes n família, no trabalho nas associações de classe, na vida cultural e política. Contribui para a formação social, cultural e cientifica do povo, tarefa indispensável para conquistas democráticas.
O sinal mais indicativo da responsabilidade do professor é seu permanente empenho na instrução e educação dos seus alunos de modo que esses dominem os conhecimentos básicos e as habilidades, capacidades físicas e intelectuais, tendo em vista prepara para enfrentar os desafios da vida prática na sociedade.
O compromisso social, expresso na competência profissional, é exercido no âmbito da vida social e política, porque realiza no contexto das relações onde se manifestam os interesses das classes sociais. O compromisso ético-político é uma tomada de posição frente aos interesses sociais em jogo na sociedade.
 Quando o professor se posiciona consciente do lado dos interesses da população majoritária da sociedade ele insere sua atividade profissional na luta por melhores condições gerais de vida.
Estas considerações justificam a necessidade de uma solida preparação profissional face ás exigências colocadas no trabalho docente. Esta é a tarefa básica do curso de habilitação ao magistério e particularmente, da didática.


4 comentários:

  1. Primeiramente, parabéns pelo empenho na construção do blog e na postagem da síntese.

    Só uma observação que precisa ser analisada e ser corrigida, veja:
    Ao apresentar o tema "A didática e a formação profissional do professor", você iniciou com uma definição "Compõe-se de um conjunto de disciplinas coordenadas e articuladas entre si, cujo objetivo é confluir para uma unidade teórico-metodológica do curso".

    Então, questiono: esta definição refere-se a quê? À didática; à formação do professor, ou à outro tema? Revejam e apresente ao que se refere.

    Poderia resumir mais os temas: o fracasso escolar; e tarefas da escola pública.

    Depois voltarei para ver como ficou.
    Abraços - Renilze Ferreira

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Já voltei e não vi a frase corrigida!!!
    Aguardo!!!

    Segue abaixo o blog da turma:
    http://fafirebiologiadidatica20112.blogspot.com/
    Acesse o blog dos colegas e registre seu parecer nos blogs deles.
    Abraços!!!

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  4. Faltou identificar o livro e o capítulo, quem acessar não sabe de que se trata.
    Façam isso!!!

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